Questionamento.
Essa palavrinha especial é o que move muitos de nós e muitas vezes é essa capacidade de questionar o mundo e seu funcionamento que nos leva a buscar algo além do que aquilo que o mundo cotidiano e "comum" nos oferece. Pelo menos foi assim comigo. Sempre me perguntei o pq das coisas em minha volta e as respostas prontas, "comuns", oferecidas pela sabedoria popular ou pelas religiões não eram capazes de aplacar meus questionamento.
Creio que o mesmo sentimento, nascido muitas vezes da impotência frente à fatalidades das mais variadas na vida que levam as pessoas às religiões, isso quando a mesma não é imposta desde a infância, claro. Para a maioria das pessoas as respostas prontas e sem espaço para questionamento aplaca o bastante suas almas para que se convençam de que essas respostas profundamente vagas respondam de fato alguma coisa. Para esses, afirmações como "é assim mesmo", "é assim pq sempre foi e sempre será", "é assim pq deus quer", "é assim porque é a natureza das coisas", são o bastante, já para outras o cicle de "por quês" apenas começa nesse ponto: "É assim pq deus quer", mas "pq deus quer assim?" e assim por diante, indefinidamente.
Acredito que no fundo as respostas não importam tanto e que talvez nunca devessemos realmente responde-las, pois quando acabam os pq's, ainda sobra algo pelo qual viver ou motivo para fazer qualquer coisa? São as dúvidas que nos movem e não as respostas, essas pelo contrário, tendem a nos interromper, a nos fazer parar, nos conformar, estagnar.
Por outro lado, e esse sim é o objetivo dessa pequena reflexão: Quão fundo de fato vamos em nossos questionamentos e quantas respostas prontas e equivocadas assumimos como verdades sem nem se dar conta?
Quantos de nós realmente entendem o motivo de agirmos da forma que agimos em todos os aspectos da vida? Se somos explosivos, passionais, racionais, impulsivos, pq alternamos de comportamento sob determinadas circunstâncias sem ter a menor idéia do pq, sem sermos capazes de justificar algumas de nossas ações.
Descobri recentemente que é justamente nessas pequenas perguntas que está o segredo de muitas coisas. Com muito trabalho de meditação, decodificação de sonhos e indo cada vez mais fundo nos questionamento sobre o que sou e pq sou, descobri que muito do que eu acreditava saber sobre mim não passava de mentira, distorção auto imposta e um aglomerado gigantesco de traumas que eu sequer sabia existirem.
A cruzada em busca do auto conhecimento, hoje afirmo com conhecimento de causa, é extremamente difícil e por vezes cruel. Envolve um nível de auto desconstrução que acredito, poucos estão dispostos a fazer. Encarar verdades sobre si mesmo, demônios difíceis de ver e aceitar, que residem no mais profundo de nossas almas, nas mais escuras sombras de nossas psiquês.
Como já defendí em meu último texto (aqui), entender o funcionamento de nossas mentes é condição básica para o processo de auto-conhecimento intríncico à magia e também condição básica para poder se entitular um verdadeiro mago e não apenas um praticante de feitiços prontos baseados em sincronicidade e coincidência pura e simplesmente.
Um mago é aquele capaz de alterar o mundo e o universo que o cerca, mas o primeiro passo para tal é ser capaz de alterar a si mesmo. Um mago deve conhecer os segredos do universo, mas antes deve conhecer os segredos de si mesmo, do universo que se é, para a partir daí, conhecer o univerno no qual está inserido e então... outros.
Você se conhece por completo? Está plenamente feliz com o que e como é? Como gostaria de ser? Quem você gostaria de ser?
Assuma para si a responsabilidade e o desafio de se tornar aquilo que se almeja e quando for capaz de alterar profundamente a si mesmo, o universo se curvará à sua vontade... ou pelo menos é assim que escolhi crer que é.
Frater Dagon

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